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Golpes mais famosos em Orlando

Passeando pelas ruas e shoppings de Orlando, não é incomum nos depararmos com grupos e famílias de turistas caindo em furadas que lhes fazem perder tempo, dinheiro e colaborar para uma experiência não super positiva na cidade. As famosas “tourist-traps” fazem parte do cenário de toda grande cidade turística no mundo: em Paris com os batedores de carteira, em Bangkok com o golpe do templo fechado, e até mesmo no Rio de Janeiro, com os famosos arrastões. Orlando não poderia ficar de fora né? Infelizmente!

Depois de algumas semanas observando atentamente a cidade, resolvi listar os 5 golpes mais famosos de Orlando e também como você pode evitar cair em qualquer um deles. Ah, e antes de começarmos, não esqueça de compartilhar essa página com seus parentes e amigos que vão viajar para Orlando e também de compartilhar com a gente outros golpes que não estão nessa lista, através da caixinha de comentários no final do post.

Novo! Veja também a versão em vídeo explicando sobre como evitar cair nos principais golpes de Orlando.

1) Golpe da metade do dobro

Esse é o golpe mais comum em cidades tidas como grandes centros de compras, principalmente as que têm diversos outlets como Orlando. Nesse golpe, as lojas criam placas e etiquetas riscando os preços antigos e oferecendo grandes promoções e descontos. O que o turista mais esperto logo descobre é que o preço riscado nunca existiu, e nem mesmo vai ser encontrado em outras lojas que por ventura não estejam em liquidação.

Outro dia mesmo estávamos em uma famosa loja de produtos de bebê em Orlando, muito procurada pelos brasileiros que vão fazer seus enxovais nos Estados Unidos e lá notamos diversos produtos que se enquadrariam nesse golpe. Um que anotamos foi um hidratante para cabelos da marca Moroccan Oil que na loja era oferecido por $50 dólares/unidade, depois de um desconto de 50%. Ou seja, a loja afirmava que o produto custava $100 dólares/unidade normalmente, enquanto nós encontramos exatamente o mesmo hidratante (marca, modelo, volume) em outras lojas e até mesmo na Amazon, por preços que variavam de $25-35 dólares/unidade.

Como não cair nesse golpe: pesquise, pesquise, pesquise e sempre desconfie de descontos muito grandes. Sim, nos EUA você vai encontrar produtos muito baratos, descontos ótimos e cupons que vão cortar significantemente o valor da suas compras, mas não existe milagre, então fique sempre com o pé atrás.

Eu gosto de comprar um chip de celular quando viajo (veja aqui como) e com acesso a internet, consigo rapidamente comparar os preços em outras lojas e quase sempre uso isso para negociar os preços nas lojas que estou fisicamente. Outro dia mesmo consegui um desconto enorme através do “price match” que a Bed, Bath & Beyond fez ao ver o preço do mesmo produto na Amazon.

2) Golpe do Timesharing

Esse golpe é praticado por muitas propriedades de Timesharing em Orlando, mas a propriedade mais conhecida é a Westgate Lakes Resort, que fica bem próximo a Sea World e a International Drive. Mas antes de irmos ao golpe, vale explicar o que é um Timesharing para quem nunca ouviu falar: assim como você compra um título em um clube (isso existe ainda certo? hehe) muitas empresas hoteleiras oferecem uma modalidade chamada de timesharing, onde você paga pelo direito de usar uma propriedade, ou um conjunto delas, de acordo com regras específicas, como tempo ou créditos. Em outras palavras, você é dono de um apartamento/quarto/casa durante um período de tempo. Grandes empresas como o Marriott, Hilton e até mesmo a Disney oferece essa modalidade de uso (na Disney, é o famoso Disney Vacation Club).

Mas Felipe, então se timesharing é ruim, porque grandes empresas fazem isso?“. Veja bem meu caro leitor, em nenhum momento eu disse que timesharing é ruim, pelo contrário: acho ótimo, tenho vários amigos que têm…. A questão é o que as empresas prometem e fazem para conseguir te vender uma cota em suas propriedades. É aí que voltamos ao golpe da Westgate.

Vendedor na Universal oferecendo vale compras "de graça", desde que você vá a palestra do Westgate Lake.

Vendedor na Universal oferecendo vale compras “de graça”, desde que você vá a palestra do hotel.

Para te vender um timesharing, muitas empresas te levam em um tour até a propriedade e te obrigam a assistir uma palestra e depois a conversar com um vendedor deles. Para isso, elas te prometem mundos e fundos, dão descontos espetaculares em ingressos de parques, e até mesmo dinheiro para você usar em compras. O que você perde em troca? No mínimo um dia quase inteiro da sua viagem ouvindo uma ladainha que bem provavelmente você nem está interessado. Isso sem contar na pressão de vendas, na dificuldade de ir embora do local e até mesmo de ações mais indesejadas – outro dia uma conhecida relatou que o vendedor a recomendou a se divorciar do marido porque ele queria ir embora da palestra. É mole?

A Rê pode contar em detalhes do trauma dela quando pequena e seus pais foram em uma dessas palestras. Ela, assim como todas as crianças, foram colocadas em uma sala de TV e brinquedos e quando ela pedia para falar com a mãe dela, não deixavam. Pensa na agonia de uma criança querendo ver sua mãe, com um bando de desconhecido te falando não? Apelativo até não poder mais!

Como não cair nesse golpe: se alguém te abordar no meio de um outlet ou até mesmo em frente a alguma montanha russa da Universal, desconfie. Descontos em ingressos de mais de 20% do valor da bilheteria são sempre sempre suspeitos. E você não pode deixar de perguntar “o que eu devo fazer em troca?” diante de uma oferta tentadora.

3) Golpe do ingresso com desconto

Esse golpe eu já dei uma prévia no item acima: não existem descontos milagrosos em ingressos. Você até encontra um vestido pela metade do preço original em um outlet, mas ingressos de parques, nunca. E sabe o por que? Pois tanto a Disney, quanto a Universal e a Sea World controlam 100% da sua cadeia de revendas, ou seja, nem que uma agência ou site queira, ele não consegue dar um desconto muito grande, a não ser que ele esteja disposto a perder dinheiro comprando um ingresso mais caro do que ele vai efetivamente vender. E por desconto muito grande, eu quero dizer preços que fiquem acima dos 20% mais baratos do que as bilheterias oficiais.

E ninguém faz isso certo? Errado. Há dois tipos de empresas que oferecem descontos gigantescos em ingressos de parques: as empresas de timesharing e as empresas de pirataria.
O primeiro tipo, como é o caso da Westgate (que inclusive têm seus quiosques nos dois Premium Outlets de Orlando) eu já expliquei como funcionam.

Golpe dos ingressos baratos no meio dos Outlets de Orlando

Golpe dos ingressos baratos no meio dos Outlets de Orlando

O segundo tipo, são empresas que fazem ilegalidades como clonagem, roubo, falsificação e até mesmo revenda de ingressos parcialmente usados e que vão te deixar na mão e te fazer perder muito dinheiro. É fato que esse tipo de empresa vem diminuindo em Orlando, até por conta das medidas de de segurança que os parques estão tomando como a captura de impressão digital, mas elas ainda existem e você deve tomar cuidado para não cair no golpe. Eu mesmo, quando trabalhei na Disney, na catraca do Magic Kingdom, recebia dezenas de famílias todos os dias que compraram seus ingressos em algum shopping, outlet ou posto de gasolina de Orlando, e tinham que dar meia volta por que não conseguiam entrar no parque. Era muito triste!

Como não cair nesse golpe: primeiro lembre-se de verificar os preços. Se eles forem baixos demais, desconfie fortemente. Certifique-se também de que você conheça a empresa ou o site por onde está comprando os ingressos. Não saber o nome da empresa ou quem é o responsável por ela, é um sinal de que tem coisa estranha ali. Por último, use a internet a seu favor, e vincule seus ingressos com o site/app do My Disney Experience para verificar se os ingressos que você comprou, correspondem a duração/uso no sistema da Disney (isso não funciona para Universal e Sea World). Quando você consegue vincular seus ingressos da Disney no site da Disney, você pode ficar tranquilo. 😉 Não deixe de ler nosso post sobre lugares confiáveis para comprar seus ingressos, clicando aqui.

4) Golpe da loja falsa

De novo um tipo de atividade que surge em cidades grandes e com grande volume de turistas: lojas oportunistas que não necessariamente são ilegais, mas tentam faturar atraindo clientes através de uma proposta enganosa. “Disney Oficial Gifts”, “Sony Outlet” e “Original iPhones” são algumas das placas que mais avistamos dirigindo por alguns quilômetros dentro de Orlando. Algumas inclusive fazem anúncios em português para atrair os turistas brasileiros mais desavisados.

Pessoal, esse é um tipo de golpe que mais uma vez pode ser resolvido através do senso crítico: por que a Apple teria um outlet na beira de uma estrada, tendo outras lojas na cidade vendendo produtos que têm preços tabelados (clique aqui para saber mais sobre a compra do iPhone)? Coisa boa não pode ser, certo?

Outlet da Sony que vende HP, Blackberry e Canon? Tem cheiro de golpe

Outlet da Sony que vende HP, Blackberry e iPhone? Tem cheiro de golpe

Outro dia vimos uma que foi feita pra enganar os distraídos: uma loja na entrada de Kissimmee chamada “Buy Best”, claramente tentando atrair turistas que buscavam a famosa loja de eletrônicos Best Buy.

Como não cair nesse golpe: mais uma vez a desconfiança é sua melhor amiga. Quando a esmola é demais, o santo desconfia. Nas compras, vá pelo seguro e visite as lojas, shoppings e outlets mais conhecidos pelo grande público. Na dúvida, consulte os guias de compras que já publicamos aqui no VPD, clicando aqui.

5) Golpe do roubo de compras

Deixei por último o golpe que na verdade reúne dezenas de outros pequenos esquemas que se aproveitam dos turistas que viajam a Orlando todos os anos. O tema é tão amplo, que já rendeu outros três posts e até um vídeo inteiramente dedicado a segurança durante a viagem:

Por isso não deixe de ler cada um dos posts acima para evitar contratempos durante a viagem. Orlando é uma cidade super segura, mas como toda grande cidade turística, os visitantes podem acabar sendo alvo de pequenos golpes por conta do dinheiro que carregam, das compras que fazem, da dificuldade do idioma que têm e até mesmo pela distração causada pelas férias.

Como não cair nesse golpe: prudência, sem desespero. Ao andar pelos shoppings e supermercados, faça suas compras tranquilamente, sem gritaria, olhando sempre sua bolsa/carteira, não mostrando muito dinheiro, e evitando ficar chamando atenção abrindo sacolas e malas no meio dos corredores. No hotel, não deixe chaves/cartões dentro dos quartos quando sair, compras espalhadas em todos os cantos, nem jogue sacolas vazias no corredor do hotel. Isso tudo chama muito a atenção de quem procura uma oportunidade para se aproveitar de turistas distraídos. Falamos dessas e MUITAS outras dicas nos links acima.

E você? Já caiu ou soube de alguém que caiu em algum golpe em Orlando? Conte abaixo e ajude os leitores do VPD a evitar dor de cabeça em suas viagens a terra da magia.



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